No momento em que o carro virou a esquina, eu pude vê-lo. Ele olhava de um lado para o outro procurando por mim, imaginei, cautelosamente, porém com os olhos ansiosos.
- Pode parar aqui – Disse ao motorista.
O motorista assentiu uma vez e, como eu havia pedido, parou.
Hesitei ao sair do carro, parando em frente à porta. Ele estava de costas para mim, quando se virou e me viu, sua expressão era de alívio. Fui ao seu encontro, contando passo por passo, para que meus pés não encontrassem no que tropeçar e, como de costume, não me envergonhassem. Sua expressão mudou à medida que eu me aproximei. Seus olhos inundaram e eu parei mais longe do que deveria, surpresa com sua reação. Eu nunca o vira chorar. Queria correr e abraçá-lo, para que isso o tranqüilizasse, mas meus pés eram fixos no chão, de uma forma que eu não conseguia encontrá-los. E então ele sorriu. Ainda era o mesmo sorriso que me fazia perder o ar.
- Eu já tinha perdido as esperanças. Achei que nunca a veria novamente – Disse ele.
- Eu tenho que aprender a te dizer não – Sorri, esperando que ele fizesse piada daquilo, como eu. Mas ele não sorriu.
- Desculpe por isso – Disse ele, passando as costas da mão esquerda no rosto para enxugar as lágrimas.
Antes que eu pudesse responder, ele estava mais próximo de mim quanto eu esperava que ficasse. Ele segurou a minha mão, deu mais um passo à frente e fechou os olhos. Esperei que ele falasse, até que ele sorriu – já era alguma coisa. Ele ergueu a mão que segurava a minha, erguendo a minha junto à dele. Entrelaçou nossos dedos, abriu os olhos e disse:
- Senti falta dos teus dedos para preencher os espaços entre os meus.
Não consegui responder. E então percebi que ele não precisava que eu dissesse alguma coisa. Ele queria que eu estivesse ali. E eu estava.
- Eu não costumo ficar tão perto assim de alguém, mas em você tem algo que me atrai, como um imã. É inevitável, não consigo controlar.
Então o sorriso desapareceu, e foi como um balde d’água fria sendo jogado sobre meu corpo. Aquele sorriso me deixava perplexa, alienada, e quando ele desaparecia, eu sentia um vão abaixo dos pés, como se a qualquer momento eu pudesse cair num abismo.
- Eu não sei... – Comecei, mas não consegui dizer mais nada. Por que ele se importaria com o que eu sabia ou deixava de saber? Eu era tão patética perto dele. Era como se eu não tivesse controle de mim mesma. Eu era tão vulnerável à ele. Baixei a cabeça, em reação à esse pensamento.
Senti seus dedos no meu queixo erguendo meu rosto suavemente. Foi nesse instante que o mundo parou, que eu perdi o ar, perdi o chão, perdi a razão. Seus lábios estavam nos meus. Suaves, quentes e doces.
Eu queria parar o tempo naquele momento. Aqueles foram os segundos mais importantes e inesquecíveis de toda a minha vida. O melhor beijo de toda a minha vida; aquele pelo qual eu esperei a vida toda.
Quando seus lábios não estavam mais nos meus, quando suas mãos não estavam mais em meu rosto, minha mente gritava: NÃO! NÃO SE AFASTE DE MIM! Eu o queria para sempre, ali, como estava naquele momento, sem nenhuma mudança. Eu queria suas mãos nas minhas, seus lábios nos meus.
Não consegui abrir os olhos, então não pude ver sua expressão, e não soube se ele gostou do beijo tanto quanto eu. Senti seus braços me envolvendo e meu rosto aninhado em seu peito. Demorei-me em seus braços e abri um pouco os olhos. Demorei ainda mais para entender que estávamos na praça do centro da cidade. As pessoas estavam nos vendo? O que elas estavam pensando?
Ele interrompeu meus pensamentos.
- Eu preciso de você por perto, não me deixe aqui sozinho outra vez.
Eu estava nos braços do homem que eu amava, mas que não podia ter. Eu estava ali, com ele, e eu não queria e não precisava de mais nada.
- Nós não podemos... – Foi o que consegui dizer, enquanto organizava meus pensamentos e tentava associar o que estava acontecendo com um por quê.
Ele sorriu e disse:
- Juntos nós podemos tudo.
- Tudo é muita coisa – Respondi, na defensiva.
- Se me prometer que não vai soltar a minha mão, eu te prometo que farei tudo o que estiver ao meu alcance para que você seja feliz – Era muito constrangedor eu ceder àquele tom de voz, àquele sorriso e àquele brilho que só os olhos dele tinham.
- É errado – Sussurrei, querendo que ele entendesse que eu tinha razão.
- Você tem razão, é errado... – Já ouviu dizer em não declare vitória antes do tempo? – Mas estou disposto a sofrer as conseqüências, mesmo que eu sofra, mesmo que doa. É uma dor que vale a pena.
Eu estava louca? Estava no meu 13° sono? O homem que eu amava acabara de dizer que pagaria qualquer preço pra que eu estivesse com ele? Só podia ser um sonho. Um sonho do qual eu não queria acordar.
Sorri, sem precisar argumentar.
- Você é tão previsível – Disse ele, sorrindo, e depois, segurando meu rosto entre as mãos, pressionou seus lábios contra os meus.
- Pode parar aqui – Disse ao motorista.
O motorista assentiu uma vez e, como eu havia pedido, parou.
Hesitei ao sair do carro, parando em frente à porta. Ele estava de costas para mim, quando se virou e me viu, sua expressão era de alívio. Fui ao seu encontro, contando passo por passo, para que meus pés não encontrassem no que tropeçar e, como de costume, não me envergonhassem. Sua expressão mudou à medida que eu me aproximei. Seus olhos inundaram e eu parei mais longe do que deveria, surpresa com sua reação. Eu nunca o vira chorar. Queria correr e abraçá-lo, para que isso o tranqüilizasse, mas meus pés eram fixos no chão, de uma forma que eu não conseguia encontrá-los. E então ele sorriu. Ainda era o mesmo sorriso que me fazia perder o ar.
- Eu já tinha perdido as esperanças. Achei que nunca a veria novamente – Disse ele.
- Eu tenho que aprender a te dizer não – Sorri, esperando que ele fizesse piada daquilo, como eu. Mas ele não sorriu.
- Desculpe por isso – Disse ele, passando as costas da mão esquerda no rosto para enxugar as lágrimas.
Antes que eu pudesse responder, ele estava mais próximo de mim quanto eu esperava que ficasse. Ele segurou a minha mão, deu mais um passo à frente e fechou os olhos. Esperei que ele falasse, até que ele sorriu – já era alguma coisa. Ele ergueu a mão que segurava a minha, erguendo a minha junto à dele. Entrelaçou nossos dedos, abriu os olhos e disse:
- Senti falta dos teus dedos para preencher os espaços entre os meus.
Não consegui responder. E então percebi que ele não precisava que eu dissesse alguma coisa. Ele queria que eu estivesse ali. E eu estava.
- Eu não costumo ficar tão perto assim de alguém, mas em você tem algo que me atrai, como um imã. É inevitável, não consigo controlar.
Então o sorriso desapareceu, e foi como um balde d’água fria sendo jogado sobre meu corpo. Aquele sorriso me deixava perplexa, alienada, e quando ele desaparecia, eu sentia um vão abaixo dos pés, como se a qualquer momento eu pudesse cair num abismo.
- Eu não sei... – Comecei, mas não consegui dizer mais nada. Por que ele se importaria com o que eu sabia ou deixava de saber? Eu era tão patética perto dele. Era como se eu não tivesse controle de mim mesma. Eu era tão vulnerável à ele. Baixei a cabeça, em reação à esse pensamento.
Senti seus dedos no meu queixo erguendo meu rosto suavemente. Foi nesse instante que o mundo parou, que eu perdi o ar, perdi o chão, perdi a razão. Seus lábios estavam nos meus. Suaves, quentes e doces.
Eu queria parar o tempo naquele momento. Aqueles foram os segundos mais importantes e inesquecíveis de toda a minha vida. O melhor beijo de toda a minha vida; aquele pelo qual eu esperei a vida toda.
Quando seus lábios não estavam mais nos meus, quando suas mãos não estavam mais em meu rosto, minha mente gritava: NÃO! NÃO SE AFASTE DE MIM! Eu o queria para sempre, ali, como estava naquele momento, sem nenhuma mudança. Eu queria suas mãos nas minhas, seus lábios nos meus.
Não consegui abrir os olhos, então não pude ver sua expressão, e não soube se ele gostou do beijo tanto quanto eu. Senti seus braços me envolvendo e meu rosto aninhado em seu peito. Demorei-me em seus braços e abri um pouco os olhos. Demorei ainda mais para entender que estávamos na praça do centro da cidade. As pessoas estavam nos vendo? O que elas estavam pensando?
Ele interrompeu meus pensamentos.
- Eu preciso de você por perto, não me deixe aqui sozinho outra vez.
Eu estava nos braços do homem que eu amava, mas que não podia ter. Eu estava ali, com ele, e eu não queria e não precisava de mais nada.
- Nós não podemos... – Foi o que consegui dizer, enquanto organizava meus pensamentos e tentava associar o que estava acontecendo com um por quê.
Ele sorriu e disse:
- Juntos nós podemos tudo.
- Tudo é muita coisa – Respondi, na defensiva.
- Se me prometer que não vai soltar a minha mão, eu te prometo que farei tudo o que estiver ao meu alcance para que você seja feliz – Era muito constrangedor eu ceder àquele tom de voz, àquele sorriso e àquele brilho que só os olhos dele tinham.
- É errado – Sussurrei, querendo que ele entendesse que eu tinha razão.
- Você tem razão, é errado... – Já ouviu dizer em não declare vitória antes do tempo? – Mas estou disposto a sofrer as conseqüências, mesmo que eu sofra, mesmo que doa. É uma dor que vale a pena.
Eu estava louca? Estava no meu 13° sono? O homem que eu amava acabara de dizer que pagaria qualquer preço pra que eu estivesse com ele? Só podia ser um sonho. Um sonho do qual eu não queria acordar.
Sorri, sem precisar argumentar.
- Você é tão previsível – Disse ele, sorrindo, e depois, segurando meu rosto entre as mãos, pressionou seus lábios contra os meus.


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